Tradução: ADITAL
Desde que chegou à Casa Branca, o presidente Barack Obama tem executado uma política continuísta em matéria militar que, em alguns casos, nem sequer se deu ao trabalho de mudar sua forma em referência à administração Bush. Em nome da defesa da pátria e de uma pretendida democracia universal, a maquinaria global de destruição e morte do Pentágono e da Agência Central de Inteligência (CIA) fabrica crises, guerras assimétricas e inimigos por onde quer que seja.
Com seu culto à violência e à morte, a barbárie imperial é apoiada por distintas instituições de governo em Washington, thinks tanks*, meios corporativos de difusão massiva, mandarins e intelectuais a serviço de uma estrutura de combate unificado que, no marco de uma estratégia de espectro completo e em defesa da segurança nacional, criou uma atmosfera de terror e medo internacional, ao mesmo tempo em que tenta "legitimar” os bombardeios punitivos contra países fabricados como Estados canalhas e/ou falidos, o uso da tortura, os desaparecimentos forçados e as execuções extrajudiciais contra supostos "terroristas”.
A diplomacia de guerra de Washington segue uma agenda de militarização global cuidadosamente desenhada. Na escalada militar mundial os planejadores do Pentágono previram diversos cenários. Nesse esquema, Cuba e Venezuela continuam ocupando o lugar principal no "eixo do mal” latinoamericano. Daí que ambos países constituam-se em objetivo estratégico a destruir mediante ações de desestabilização encobertas e a orquestração de guerras sujas midiáticas, apesar de que, no ínterim, possam ser ensaiados golpes de Estado e tentativas separatistas, com apoio paramilitar em nações consideradas como os elos débeis da cadeia. Por exemplo, o falido golpe no Equador contra o presidente Rafael Correa e o também fracassado affaire na Media Luna boliviana que, em 2008, tentou derrubar Evo Morales.
No caso cubano, há meio século o império ensaia todo tipo de agressões. Recorreu à invasão militar direta através de mercenários (Playa Girón, 1961); à guerra psicológica e bacteriológica; ao bloqueio criminoso (com a intenção de asfixiar econômica, financeira e comercialmente à ilha e rendê-la pela fome) e a ações de sabotagem e atentados terroristas de vários tipos. Também, de maneira sistemática, a guerra secreta da CIA e do FBI contra Cuba tem utilizado grupos anticastristas contrarrevolucionários com sede em Miami, em particular a Fundação Nacional Cubano Americana (FNCA) e outros expoentes da ultradireita paramilitar, como o Conselho pela Liberdade de Cuba (CLC), Alpha 66 e a Rosa Branca, apelando para ações terroristas e, inclusive, para transmissões ilegais e subversivas por rádio e televisão, com o objetivo de fabricar uma dissidência interna como cabeça para justificar e legitimar uma invasão à Ilha.
Aparentemente, o mais paradoxal é que, em pleno século XXI e após a chegada de Obama ao governo, quando parecia que o terrorismo anticubano impulsionado por Washington havia passado de moda, congressistas estadunidenses tentam reativar organizações dessa índole. Entre eles, destacam-se vários legisladores oportunistas que acumularam poder, má fama e fortuna às custas da indústria da contrarrevolução, como Lincoln Díaz-Balart, Ileana Ros-Lehtinen (la LobaFeroz), Bob Menéndez e Albio Sires, todos protetores de terroristas confessos, como Luis Posadas Carriles, prófugo da justiça venezuelana, que, refugiado em Miami, mantém vínculos com a CIA.
As recentes declarações de Francisco Chávez Abarca, um dos principais elos da conexão centroamericana de Posada Carriles e de várias organizações extremistas de Miami, que foi detido na Venezuela em julho passado e deportado a Cuba, revelam a continuidade das ações terroristas e paramilitares contra a Ilha e abrem novas interrogações sobre a cumplicidade entre a CIA, o FBI, a FNCA posada Carriles e congressistas anticubanos do Capitólio.
Chávez Abarca revelou que entre os planos atuais de Posada Carriles figura a intenção de afundar barcos carregados com petróleo venezuelano em trânsito para Havana. Também asseverou que a FNCA destinou em 2010 quase 100 milhões de dólares para planos antivenezuelanos por considerar esse país como a "coluna financeira” de Cuba, do Equador, da Bolívia e da Guatemala.
Ditas revelações jogam por terra a atual estratégia da Fundação Nacional Cubano Americana (amiga da Fundação de Vicente Fox e patrocinadora de sua campanha eleitoral de 2000), de aparentar ter se convertido em um partido político, civilista e pacífico, e ratificam que sua principal linha de ação e instrumento para destruir a revolução é o terrorismo.
Fica às claras também uma vez mais a dupla moral e a linguagem dual da administração Obama-Clinton. Diante do desmoronamento da imagem "moderada” e "conciliadora” que havia tentado projetar, tal como agora exibe Chávez Abarca, a FNCA continua financiando e apoiando as atividades terroristas de Luis Posadas Carriles e de seus sequazes contra Cuba, a Venezuela e outros países da Alba (Aliança Bolivariana dos Povos de Nossa América), a passividade da Casa Branca e o tratamento dado pela justiça estadunidense a Posada Carriles os torna cúmplices e protetores desse velho guerreiro sujo da CIA. Da mesma maneira, a ameaça de Posada Carriles de querer "atacar interesses de Cuba e da esquerda, onde quer que estejam”, deixa em evidência a tramoia da "guerra ao terrorismo” de Bush e de seus continuadores, Barack Obama-Hillary Clinton, e vem demonstrar que as atividades que os cinco heróis cubanos realizavam para proteger a Ilha do terrorismo respondiam a um "estado de necessidade” e que sua prisão nos Estados Unidos é injusta.
* Nota da edição: As usinas de ideias (em inglês: think tanks) são organizações que produzem pesquisas, análises, e conselhos orientados a política de temas domésticos e internacionais com a tentativa de executar decisões bem informadas sobre a política pública em questão. Os think tanks podem ser filiadas a partidos políticos, governos, grupos de interesse, corporações privadas ou independentes (independente de qualquer tipo de grupo de interesse e autônomo em sua operação e financiamento). Estas instituições servem como fonte entre as comunidades acadêmicas e os encarregados de formular políticas, servindo ao interesse público como um ator independente que traduz pesquisa aplicada a uma forma compreensível, confiável, e acessível para o público e tomadores de decisão
[La Jornada].
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