De acordo com padre José Oscar Beozzo, coordenador geral do Ceseep, o curso de verão se debruçará sobre a crescente diversificação religiosa no panorama brasileiro. "São diferentes igrejas, religiões e pessoas que se declaram sem religião.
As religiões se propõem a ser construtoras da Justiça e da Paz, porém, às vezes, patrocinam guerras e desenvolvem fundamentalismos, e é isso que vamos debater”, afirma.
A ideia do tema surgiu a partir dos dados do censo da população brasileira, os quais indicaram que os católicos, 90% da população na década de 1970, agora caíram para dois terços, enquanto em algumas cidades o número de protestantes e de pessoas sem religião supera o número de católicos. "Então, o objetivo é tratar dessa diversidade, que tem muita riqueza mas também representa desafio”, declara.
Internamente, o curso se organiza em dois eixos de atividades – as que ocorrem no teatro da universidade, como celebrações e fala dos assessores, ao introduzirem cada tema, e as oficinas, que ocorrem em tendas.
Nesta edição, o Curso de Verão contará com a presença do doutor em Ciências da Religião, Faustino Teixeira, com o tema Diversidade Religiosa: riqueza e desafio para o diálogo e cooperação; do doutor em Bíblia, Milton Schwantes, que abordará Deus de muitos nomes: criador e defensor do pobre e do estrangeiro,do órfão e da viúva; da teólogo feminista Ivone Geabra, que falará sobre Espiritualidade do respeito ao outro e à natureza do Cuidado e do diálogo na busca da justiça e da Paz; e, por fim, o secretário executivo da Campanha da Fraternidade, Luiz Carlos Dias, abordando o tema da CF 2012, Fraternidade e Saúde Pública.
Já as oficinas reúnem grupos de 35 pessoas, com a cooperação de quatro monitores. São voltadas para teatro, dança, rádio comunitária, fotografia e outras. "A ideia é repensar o tema em uma linguagem lúdica”, explica o padre.
Pessoas de praticamente todos os estados brasileiros deverão participar, a maioria pertencente à faixa etária entre 15 e 19 anos, e, em seguida, jovens entre 20 e 24 anos, ligados a trabalhos pastorais, comunitários ou movimentos sociais. Pela experiência dos anos anteriores, padre Beozzo estima um público entre 450 e 600 participantes.
A organização do evento também se constitui em ponto interessante, pois é realizada em formato de mutirão, com várias equipes trabalhando voluntariamente. São grupos de artistas plásticos, músicos, monitores e equipe de serviço; assessores, que escrevem textos para livro do curso, abrem mão dos seus direitos e vão ao curso; parceria com Universidade Católica, que cede teatro e 80 salas; famílias, comunidades, paróquias, que acolhem os participantes na dormida e café da manhã.
Questionado sobre a receita do sucesso do curso, que conta já 25 anos, padre Beozzo responde prontamente. "Se deve ao empenho durante todo o ano, às parcerias, às famílias que recebem os participantes, ao clima de animação e aos temas que brotam das pessoas que fazem o curso, temas que dialogam com inquietações, buscando respostas às perguntas”, declara.
A inscrição custa R$170, porém, quem efetuar o pagamento até o próximo dia 10 terá desconto de R$20. A comunidade ou movimento que confirmar presença de um grupo de cinco participantes, pagará por apenas quatro inscrições.
O almoço será servido no restaurante da PUC, a preço reduzido durante os oito dias de curso. Já o café da manhã e o jantar, assim como a hospedagem, serão gratuitos, nas casas de famílias ou comunidades engajadas no mutirão.
Para se inscrever, basta ir ao site do centro: http://www.cesep.org.br/verao/proximo_verao.html.
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