No último dia 11, a população de La Moskitia, departamento de Gracias a Dios, em Honduras, presenciou uma desastrosa apreensão de drogas que resultou na morte de quatro pessoas e feriu outras quatro. Buscando investigar o que aconteceu ao certo durante a operação militar, uma delegação formada por acadêmicos, ativistas de direitos humanos e direitos trabalhistas, organizados por meio da Rights Action e da Alliance for Global Justice, do Canadá e Estados Unidos, visitou a região nos dias 22 e 23.
Quatro helicópteros participaram da operação militar que buscava apreender drogas próximo à aldeia de Ahuás. Durante a ação, os integrantes de um dos helicópteros abriram fogo contra um barco de passageiros matando duas mulheres grávidas, um adolescente de 14 anos e um homem de 21, e ferindo gravemente pelo menos quatro pessoas.
Segundo divulgou a imprensa, o Departamento de Estado dos EUA confirmou que os helicópteros eram seus, mas justificou que estavam com militares guatemaltecos e pessoal contratado por eles. A Drug Enforcement Administration (DEA), agência estadunidense encarregada de combater o tráfico de drogas no país e no exterior, confirmou que uma equipe sua de apoio consultivo foi enviada ao exterior para apoiar uma Equipe de Resposta Tática da Polícia Nacional. Por sua vez, o Comando Sul assegurou que ninguém do exército dos EUA participou desta ação.
Para apurar os fatos, os integrantes da delegação conversaram com pessoas da comunidade, sobreviventes, familiares, testemunhas e com um oficial do exército hondurenho. Alguns relataram que depois dos disparos os helicópteros aterrissaram para procurar drogas. Os militares apontaram suas armas para os moradores locais que tentavam socorrer as vítimas e ameaçaram matá-los. A operação durou de duas a três horas e apenas quando os militares se retiraram os feridos puderam ser socorridos, enquanto isso, todos permaneceram às margens do rio.
Ainda segundo testemunhas, os militares eram homens de pele clara, que falavam inglês e tinham pouca habilidade com o espanhol. Além disso, as ações realizadas em terra demonstraram que eles tinham papel não apenas de apoio na operação. Os militares foram apontados como sendo das forças de segurança dos EUA.
A delegação dirigida pelas organizações Rights Action e Alliance for Global Justice demonstrou preocupação com a falta de investigações a respeito do massacre. Nem as autoridades hondurenhas nem as estadunidenses estão empenhadas em falar com testemunhas, recolher informações ou apurar o ocorrido. Outra preocupação é a constante e crescente presença militar em Ahuás. Além das tropas hondurenhas também foi registrada a presença de militares estadunidenses próximo à aldeia.
"O exército dos Estados Unidos e as forças de segurança civil em Honduras estão aplicando táticas de contra-insurgência para combater o tráfico de drogas e militarizando as regiões onde há valiosos recursos naturais. Portanto, hoje estamos presenciando o ressurgimento dos esquadrões da morte e a re-militarização da América Central tal e como aconteceu nos anos 80. Estamos alarmados pelos reportes da imprensa sobre a recente transferência de táticas da contra-insurgência e pessoal do Iraque e Afeganistão para a América Central”, denunciaram.
Diante desta situação, a delegação de acadêmicos e ativistas de direitos humanos e direitos trabalhistas demanda que os Estados Unidos investiguem seriamente os fatos, incluindo a identificação da responsabilidade criminal de indivíduos específicos, e assumam suas responsabilidades sobre os acontecimentos do dia 11.
Pedem ainda que os direitos e decisões dos povos indígenas e dos movimentos populares sejam respeitados e que eles não sejam tratados como traficantes de drogas e delinquentes. E, sobretudo, demandam a retirada imediata de todas as forças de segurança dos Estados Unidos, incluindo os integrantes da DEA, e o fim de toda e qualquer assistência e treinamento militar para a re-militarização na América Central.
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