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11.06.12 - Brasil
Aécio fala em ‘ética’ na TV. Risível!
Altamiro Borges
Jornalista, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, militante do PCdoB
Adital

7 junho 2012


O PSDB começou a exibir nesta semana as suas inserções publicitárias no horário partidário na rádio e TV. Numa delas o cambaleante presidenciável tucano, o senador Aécio Neves, aparece todo maquiado dizendo que tem um "sonho" - "a de que a política possa, um dia, ser o espaço da ética". Na maior caradura, ele garante que o seu partido tem esse firme compromisso. É muito cinismo. Chega a ser risível!

Para reforçar a sua mensagem "ética" o PSDB bem que poderia exibir também as imagens do governador de Goiás, Marconi Perillo, que a cada dia se complica mais na cachoeira de denúncias sobre o envolvimento com o crime organizado. Também poderia prestar esclarecimentos sobre as falcatruas com dinheiro público nas obras do Rodoanel em São Paulo, que envolve o seu "amigo" José Serra. Aécio Neves ainda poderia rechaçar as acusações, que partiram de Minas Gerais, sobre a "privataria tucana" no reinado de FHC.

Os tucanos - juntamente com os eternos aliados demos - estão perdidos, sem rumo. Não têm propostas e perderam as suas bandeiras. Mesmo assim, eles insistirão na tecla udenista dos paladinos da ética. Caso a situação de Marconi Perillo se complique de vez, talvez até façam como o DEM - que já rifou Demóstenes Torres, o seu grande líder. Será que os eleitores brasileiros vão se deixar iludir com a falsa marquetagem?

Leia também:

Kassab repele Aécio. Ordem do Serra?
Por Altamiro Borges
10 de junho de 2012

A jornalista Vera Magalhães publicou hoje uma curiosa notinha na coluna Painel, da Folha:

"Não passará

O prefeito Gilberto Kassab reagiu a um movimento do senador Aécio Neves (PSDB-MG) para atrair, desde já, apoio de seções estaduais do PSD ao seu projeto presidencial em 2014. Nos últimos dias, Kassab recebeu recados do tucano por meio de dirigentes do partido.

Irritado, mandou os mesmos emissários dizerem ao mineiro que a sua sigla não aceita tentativas de "cooptação" e que terá posição unificada na disputa pelo Planalto. "Vamos discutir isso a partir de 2013. Quem não estiver disposto a aceitar vai enfrentar intervenções", respondeu Kassab, aliado histórico de José Serra, adversário interno de Aécio no PSDB”.

Não é segredo para ninguém que o ex-demo e atual presidente do PSD é muito ligado ao ex-prefeito de São Paulo, que o projetou na vida política. Num programa de tevê, Kassab chegou a brincar que "dormia de paletó” para atender o tucano notívago quando era o seu vice. Ele também nunca escondeu de ninguém que apoiaria José Serra numa nova tentativa de disputa para a sucessão presidencial.

A disputa fratricida no PSDB

Caso a notinha da colunista da Folha seja verdadeira, ela sinaliza que Kassab repele Aécio porque o eterno candidato tucano mantém suas pretensões para 2014 – e que a eleição da capital paulista serviria, mais uma vez, para alavancar a sua candidatura presidencial. Serra já rasgou um documento em que se comprometia a não abandonar a cidade antes do fim do seu mandato. Não custa nada mentir novamente!

Vera Magalhães chega a especular que Kassab até poderia apoiar a reeleição de Dilma caso Serra não saía candidato em 2014. Como prova desta hipótese, ela lembra que o atual prefeito "levou o PSD a apoiar” o partido da presidenta em várias cidades da região metropolitana de São Paulo. Será que o seu mentor, famoso pelo espírito vingativo, chegaria a este ponto para derrotar seu rival no PSDB? É difícil de acreditar!

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Mensalão tucano e o silêncio da mídia
Por Altamiro Borges
10 de junho de 2012

Na quarta-feira passada (6), finalmente o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu incluir na pauta o debate sobre o "mensalão tucano”, o esquema utilizado para alimentar a campanha pela reeleição do governador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) em 1998. A mídia, porém, não deu qualquer destaque ao assunto. Algumas notinhas informaram apenas que o "mensalão mineiro” também deverá ser julgado em breve – a imprensa demotucana evita, por razões óbvias, falar em "mensalão tucano”.

O caso é bastante emblemático. Ele serve para comprovar a seletividade da chamada grande imprensa. O escândalo surgiu bem antes das denúncias contra o PT. A própria Procuradoria-Geral da República, ao encaminhar o caso ao STF em novembro de 2007, afirmou que o esquema foi "a origem e o laboratório” do "mensalão do PT”. Ele teria sido armado pelo mesmo publicitário Marcos Valério, que montou o famoso "valerioduto” para financiar campanhas eleitorais com recursos públicos e doações de empresas privadas.

"Problemas na prestação de contas"

Segundo o Ministério Público Federal, o esquema usado na campanha frustrada pela reeleição de Eduardo Azeredo, derrotado na época por Itamar Franco, foi financiado com recursos da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), Comig (Companhia Mineradora de Minas Gerais) e Bemge (Banco do Estado de Minas Gerais). Cerca de R$ 3,5 milhões foram repassados à agência de publicidade de Marcos Valério, a SMP&B, e depois serviram para irrigar o caixa dois da campanha do tucano mineiro.

Numa entrevista à Folha, em setembro de 2007, o próprio Eduardo Azeredo, hoje deputado federal do PSDB, confirmou que teve "problemas na prestação de contas da campanha”. Mas, diante das denúncias, ele fez questão de dizer que os recursos "não contabilizados” não eram apenas para a sua campanha, "mas dos partidos coligados e que envolvia outros cargos, até mesmo de presidente da República”. E confirmou que "parte dos custos” da campanha pela reeleição de FHC foi bancada por seu comitê eleitoral.

Os corredores lúgubres do Judiciário

Apesar das inúmeras provas documentais sobre a existência do esquema ilegal, até hoje o STF protelava o seu julgamento e a mídia fazia de conta que ele não existia. A "faca no pescoço”, utilizada para acelerar o julgamento do "mensalão do PT”, nunca foi usada para apressar o julgamento do "mensalão tucano”, bem mais antigo. Será que agora os ministros do STF vão finalmente julgar o caso? Ou ele permanecerá "passeando pelos corredores lúgubres do Judiciário”, como indaga o blogueiro Antônio Mello.

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