O grito indígena na Cúpula dos Povos

Ao intercalarem rituais e clamores, em centenas de tons, línguas e cores, os povos indígenas estão indignadamente fazendo seus desabafos, conclamando para a união para a luta comum contra esse sistema que lhes decretou a morte e travestiu de verde a destruição. São em torno de mil e trezentos indígenas de mais de cem povos do Brasil e das Américas, presentes na mobilização, conclamação, debate e grito nativo no espaço do Acampamento Terra Livre, na Cúpula dos Povos.
Essa diversidade, raiz e futuro do
continente, se manifesta de maneira contundente. Não aguentam mais o avanço dos
projetos de morte e saque de seus territórios, sob o discurso verde da
sustentabilidade e preservação. Querem dizer isso ao mundo. Que os ensurdecidos
e insensíveis chefes de Estado e governantes sejam atingidos pelas flechas de
futuro, que exige imediata e radical mudança nos rumos dos projetos de
desenvolvimento e a devolução e garantia dos territórios dos povos indígenas e
o reconhecimento de sua autonomia e seus projetos de vida.
Confiam na força da união dos povos indígenas do mundo em aliança com todos os setores da sociedade que lutam contra o devastador sistema capitalista global, para interromperem o caminho de morte, que ameaça a vida todos os seres vivos e do próprio Planeta. Denunciaram o assassinato de dezenas de lideranças indígenas e a total impunidade em que permanecem esses crimes.
Estão cansados de denunciar a violação constante dos seus direitos. Porém não se cansam de anunciar seus projetos de Bem Viver como contribuição e alternativa aos projetos do grande capital global, que tem a serviço de seus interesses os Estados nacionais e o sistema financeiro mundial.
Ao inferno Belo Monte
Entre
as inúmeras denúncias foi ressaltado, por diversos povos e lideranças
indígenas, a situação e consequências calamitosas do mega projeto da usina
hidrelétrica de Belo Monte. Raoni e Megaron deixaram claro sua posição e dos
povos indígenas contra essa monstruosa obra que irá impactar mortalmente vários
povos indígenas, populações ribeirinhas, com um rastro de destruição.
Está sendo unânime o rechaço dos povos indígenas a todo tipo de desenvolvimento baseado nessas grandes obras a serviço do grande capital e contra os direitos e vida dos povos originários deste continente. O grito é pela vida dos Povos e a Mãe Terra.
Cimi
40 anos – Rio de Janeiro 17 de junho de 2012
Povo
Guarani grande povo.
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Demarquem nossas terras
Após a abertura do Acampamento Terra Livre, na Cúpula dos Povos, no Rio de Janeiro, um batalhão de fotógrafos estava seguindo uma pessoa que adentrava ao Auditório 33 onde estavam algumas centenas de indígenas de todo o Brasil. Antonio Patriota, ministro das Relações Exteriores, veio dar uma olhada apenas no evento. Mas foi convidado pelos índios a dar uma palavra aos presentes. Deixou escapar o que parece ser a grande preocupação do governo: tentar convencer o mundo de que no Brasil é possível conjugar desenvolvimento com proteção ambiental.
Para os povos indígenas esse esforço do governo brasileiro é em vão. É apenas uma retórica fantasiosa ( para não dizer mentirosa) onde a onda de desenvolvimentismo, uma vez mais tem os povos indígenas como maiores vítimas. Basta olhar o descalabro e o caos em que estão a saúde e a educação indígena e mais grave ainda a total falta de uma política de produção de alimentos, de acordo com a lógica das economias indígenas. Prefere-se institucionalizar a dependência através das cestas básicas.
Logo após as breves palavras do
ministro Antonio Patriota, Otoniel Kaiowá, Guarani do Mato Grosso do Sul, pegou
o microfone para dizer exaltado. "Demarquem nossas terras. É bom o senhor estar
aqui. Queremos a demarcação de nossas terras urgente. Não adianta falar em
economia e proteção ambiental para nós, o que queremos e precisamos que o
governo demarque as nossas terras”.
Acampamento Terra Livre
"A salvação do planeta está na sabedoria ancestral dos povos indígenas”, consta no folder da programação do IX Acampamento Terra Livre, organizado pela Articulação dos Povos Indígena do Brasil, e que se integra com agendas, participação e contribuições dos povos indígenas do continente Abya Yala. Durante uma semana serão debatidos os grandes temas que desafiam a humanidade hoje e em especial os povos indígenas do mundo. Serão feitos mobilizações, rituais, debates e elaborado um documento que expressa a posição do movimento indígena mundial diante da grave crise em que o sistema capitalista é uma ameaça à sobrevivência da vida no planeta.
"O respeito aos povos indígenas requer valorizar a sua contribuição na formação social do Estado nacional e reconhecer o papel estratégico que os territórios indígenas tem desenvolvido milenarmente na preservação do meio ambiente, na proteção da biodiversidade e na solução dos problemas que hoje ameaçam a vida no planeta”.
Essas atividades dos povos indígenas previstas para os próximos dias fazem parte dos mais de 3 mil eventos que estão previstos.
Mandantes do assassinato de Nisio Gomes, na cadeia
Foi deflagrada operação de prisão dos
mandantes e envolvidos no assassinado do cacique Nisio Gomes, conforme noticiou
a imprensa de Campo Grande. O cacique foi assassinado em novembro último
passado na Terra Indígena Guayviri, no município de Aral Moreira, no Mato
Grosso do Sul. Mesmo que o anúncio da operação tenha sido estrategicamente
feito no decorrer da Cúpula dos Povos e Rio + 20, o que se espera é agilidade
da justiça para punir os responsáveis de dezenas de lideranças assassinadas e
que permanecem na total impunidade. Além do mais não se tem ainda informações
sobre o corpo do Nisio e do professor Rolindo. Que a prisão dos mandantes abra
caminho para a localização dos corpos.
Cúpula
dos Povos, 15 de junho de 2012.
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Guarani Grande Povo
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