Uma campanha está recolhendo assinaturas de cidadãos e cidadãs contrárias ao golpe de Estado no Paraguai. No texto da carta anexa às assinaturas fica claro o descontentamento com a quebra institucional ocorrida no dia 22 de junho, quando o presidente Fernando Lugo, eleito pelo voto popular, foi deposto da presidência.
"Nós, homens e mulheres que expressamos nossa palavra quando o poder nos forçava ao silêncio, denunciamos esta abrupta substituição do governo eleito pelo povo, por outro imposto por um golpe de estado ilegal e ilegítimo. Grave é que este golpe foi executado por um legislativo cujo dever, é, precisamente, legislar conforme a justiça e ser fiel ao espírito das leis”, denunciam. As mais de 30 pessoas que já assinaram a carta reforçam a importância da alternância política por meio do voto e reconhecem o esforço e a idoneidade de vários integrantes do gabinete deposto junto com Fernando Lugo, que trabalharam para garantir direitos e oportunidades aos paraguaios e paraguaias mais pobres.
Ao mesmo tempo criticam a incapacidade do Executivo em cumprir as promessas eleitorais e executar reformas demandadas pela população. Desde já, os abaixo-assinados responsabilizam os integrantes do Poder Executivo pelas consequências que o golpe de estado poderá trazer e denunciam que a política da intolerância está de volta ao país, assim como o desprezo à vontade popular, atitudes impulsionadas por dirigentes que antes defendiam o fortalecimento da cultura democrática.
A preocupação da população paraguaia também está na incerteza econômica que o país atravessa, nos confrontos sociais e na marginalização imposta pelas nações latino-americanas. As mudanças políticas no país ainda quebram um ‘contrato social’ que permitia à população lutar pela construção de um Estado democrático.
Apesar da atual conjuntura política paraguaia, a atitude da população é de ir à luta e não fugir dela. "Preocupados com o futuro de nossa nação, nos comprometemos a seguir lutando pacificamente para reconstruir uma República livre, democrática e includente; e a levantar nossas vozes para restabelecer a convivência civilizada que sempre quisemos para nós e para as gerações futuras”, asseguram
Mais informações no site: http://paraguayresiste.com/
Contexto
Na última quinta-feira (21), o então presidente paraguaio Fernando Lugo foi a público para dizer que estava enfrentando um "golpe de Estado expresso" em seu país e que ele havia sido o alvo de um julgamento político injusto. Nem bem o dia seguinte amanheceu e a denúncia se confirmou.
Algumas das justificativas para sua destituição seriam as mortes de 17 pessoas, entre indígenas e policiais na fazenda de Curuguaty durante confronto armado com a polícia no dia 15, um ato político de seus aliados esquerdistas em instalação militar em 2009, a insegurança no Paraguai e o apoio à aprovação do Protocolo de Ushuaia, que reafirma o compromisso democrático entre os membros do Mercosul.
Foi dado a Lugo menos de 24 horas para se defender das denúncias, tempo que obviamente não foi suficiente. Com a votação no Senado e o resultado de 39 votos a quatro, o desfecho foi a destituição do presidente.
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