O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação repudia nomeações feitas pelo Congresso Nacional à revelia da sociedade civil. FNDC denuncia atropelo do Congresso Nacional aos movimentos sociais
O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) recebeu com surpresa a notícia da reativação do Conselho de Comunicação Social (CCS), e vem a público manifestar seu repúdio e indignação quanto à nomeação antidemocrática e preconceituosa realizada pelo Congresso Nacional.
A inclusão do Conselho de Comunicação na
Constituição Federal de 1988 foi fruto tanto da luta política e da mobilização
de diversos segmentos sociais quanto da articulação da sociedade com o
Parlamento, fato que não se repetiu agora quando da composição do Conselho. Não
houve diálogo sequer com a Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e
Direito à Comunicação, subscrita por mais de 180 parlamentares, com forte
representação da sociedade civil, que no ano passado encaminhou sugestões para
a composição.
O CCS foi regulamentado em 1991, mas só teve sua primeira indicação em 2002, e
estava parado desde 2006, numa interrupção ilegal e inconstitucional. Embora
tenha caráter consultivo, ele pode cumprir papel importante de fomentar debates
sobre os temas da comunicação social, e servir como impulso para o Congresso
regulamentar os artigos constitucionais sobre comunicação que estão há 24 anos
sem definição legal – como o que proíbe monopólios e oligopólios e o que aponta
para a complementaridade dos sistemas público, privado e estatal.
Contudo, as indicações realizadas na reativação do CCS foram completamente
arbitrárias, sem diálogo com a sociedade civil organizada com atuação no campo,
que foi atropelada justamente no momento em que busca contribuir com o avanço
da democratização da comunicação e com a efetiva liberdade de expressão para
todos e todas. A demonstração do nosso acúmulo e compromisso se dá
cotidianamente para quem acompanha a pauta, e foi mais do que comprovada
durante a I Conferência Nacional da Comunicação (Confecom), realizada em 2009 e
praticamente ignorada pelo Congresso Nacional, com honrosas exceções.
Nas vagas fixas reservadas a trabalhadores, foram mantidos representantes de
entidades do movimento, como a Fenaj, mas a indicação dos radialistas se deu
sem diálogo com a atual gestão da Fitert e a dos artistas privilegiou um único
sindicato, com forte ligação com o setor patronal, em detrimento da associação
nacional.
Já nas indicações das cadeiras da sociedade civil foram privilegiados setores
conservadores (inclusive empresários do setor) e ligados às igrejas, com claro
favorecimento a cidadãos com relações pessoais com o presidente do Congresso
Nacional. A exceção positiva foi a indicação de pessoas com ligação com a pauta
da cultura digital, que ainda assim não contempla as perspectivas do movimento
pela democratização da comunicação.
Além destas incoerências, é grave a constatação de que todos os 13 nomes
indicados para a titularidade da representação são de homens, desprezando a
diversidade e a pluralidade da sociedade ao alijar completamente a participação
feminina, algo inadmissível para a construção de uma sociedade democrática.
Um Conselho que deveria servir para auxiliar o Parlamento, e que reúne entre
suas funções avaliar questões ligadas à liberdade de manifestação do
pensamento, da criação, da expressão e da informação, além de emitir pareceres
e recomendações ligadas à produção e programação de emissoras de rádio e
televisão, não deve - e não pode jamais - prescindir da participação de uma
representação coerente da sociedade civil à altura de tão complexas e
estratégicas responsabilidades.
Conclamamos os nobres parlamentares a desfazerem esse grave erro e reabrirem o
diálogo. Este tipo de prática arbitrária afronta os direitos do povo brasileiro
e afeta o caráter democrático do Conselho.
Brasília, 18 de julho de 2012
FNDC - Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
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