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23.07.09 - Brasil
Ele fala sobre a liberdade e o empoderamento criados pelas Comunidades
Porto Velho - Adital

Se 80% das celebrações feitas nos finais de semana no Brasil são realizadas por leigos e leigas, é preciso que a Igreja Maior seja mais atenciosa com as Comunidades Eclesiais de Base, no sentido de que são elas as responsáveis por levar a mensagem cristã. É com esse pensamento que o padre Oscar Beozzo, do Centro Ecumênico de serviços à Evangelização e Educação Popular (Cesep), com sede em São Paulo, lança um olhar abrangente e justo sobre a atuação das Comunidades.

“Eu diria que é mil vezes mais fácil ser Igreja dentro de uma CEB do que em estruturas que não são vitais e que não estão próximas da vida”, fala sobre a liberdade e o empoderamento criados pelas Comunidades, ao mesmo tempo em que critica as limitações da Igreja.

Nesta entrevista à ADITAL, Beozzo passeia nessa linha de desafios, questionamentos e conquistas que ligam as necessidades das Comunidades e o papel da Igreja para leigos e leigas.

O padre participa do 12º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base que acontece até sábado (25) em Porto Velho (RO).

Adital - É difícil ser CEBs hoje? Viver essa Igreja é difícil?

Oscar Beozzo - Eu penso que é mais difícil viver uma Igreja que não é de CEBs porque essa [das CEBs] é uma Igreja assumida pelos próprios batizados a partir do chão da vida e das necessidades. Eu diria que é mil vezes mais fácil ser Igreja dentro de uma CEB do que em estruturas que não são vitais e que não estão próximas da vida.

Adital - Em muitos momentos do encontro, escutamos as Comunidades se queixando da falta de padres. É realmente uma dificuldade que as Comunidades Eclesiais de Base enfrentam hoje? Como elas podem lidar com isso?

Oscar Beozzo - É uma dificuldade no sentido que alguns Ministérios como o da Eucaristia e o da Reconciliação estão reservados aos ordenados, que são poucos. E não dão conta. Tanto que no Brasil, em torno de 80% das celebrações de fins de semana não são feitas por ministros ordenados. Isso mostra que elas [as comunidades] estão achando um caminho já que 80% das celebrações aos sábados e domingos no país são feitas por leigos e leigas, normalmente, dentro das Comunidades. Então, essa tem sido a saída, mas não é uma saída, eu diria, suficiente. Porque as comunidades têm direito a ter eucaristia, têm direito a ter suas celebrações de reconciliação. Elas são parte de nossa caminhada cristã.

Acho que é um problema da Igreja Maior que não providencia suficientes ministérios. Seria possível ter nas comunidades pessoas perfeitamente habilitadas a presidir uma eucaristia. Elas tentam resolver como podem, mas tem certas coisas que não dependem das Comunidades e essa é uma responsabilidade, não vou falar criminosa, mas é um pouco isso...que a Grande Igreja não acuda os filhos menores, pequenos, os mais pobres, ou àqueles ministérios aos quais eles têm direito.

Adital - De certa forma, isso gera um empoderamento das Comunidades.

Oscar Beozzo - Sim! Isso é verdade! É nelas que florescem os Ministérios, as responsabilidades, sobretudo a responsabilidade das mulheres, que encontram espaços de exercer os ministérios, presidem as celebrações, são ministras do batismo, por exemplo. Então acho que há um espaço muito bonito e importante desse crescimento dos batizados e das batizadas a partir de seu batismo.

Adital – O 12º Intereclesial surgiu com um clima muito intenso de retomada das CEBs. Houve, de fato, um momento de “queda” das CEBs? Como podemos avaliar?

Oscar Beozzo - Eu penso que houve um momento em que elas foram muito acuadas. No documento final do Sínodo para as Américas [1997] se ordenou aos quinze bispos encarregados da ordenação: aqui não entra a palavra Comunidades Eclesiais de Base e não entra Teologia da Libertação. Eu acho que isso não tem cabimento. Mas essa fase felizmente passou. Aparecida [Conferência Episcopal, de 2007, ocorrida no Brasil] acolheu em seu documento dizendo que nelas [nas CEBs] a Igreja encontra um grande testemunho de assumir a palavra de Deus e dá testemunho de vida, que elas são as grandes escolas de formação.

Então, acho que houve de novo um alento por parte mais geral da Igreja, do Continente todo, apreciando as comunidades. Acho que esse Intereclesial é um pouco o testemunho desse clima novo. Não que elas não estivessem trabalhando, mas elas [as Comunidades] sentiam que trabalhavam contra a corrente e é muito ruim dentro da Igreja você fazer uma coisa boa, evangélica e estar contra a corrente. Navegar com o rio abaixo é mais fácil do que navegar rio acima. Então, acho que agora vamos poder fazer um trecho de rio abaixo.

As matérias sobre o 12º Intereclesial das CEBs são produzidas com o apoio do Fundo Nacional de Solidariedade da CF 2008.

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