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Haiti por si_
26.03.12 - Haiti
Organização pede que haitianos excluídos do visto humanitário sejam acolhidos
Natasha Pitts
Jornalista da Adital
Adital

Apesar da iniciativa do governo de conceder visto permanente para cerca de quatro mil haitianos e haitianas que estão no Brasil, a população do Haiti ainda precisa de mais. Por isso, a organização ‘Conectas Direitos Humanos’ está solicitando medidas urgentes do Governo brasileiro para cerca de 400 imigrantes que foram excluídos do visto humanitário após a criação da nova política brasileira para acolhimento de haitianos.

No momento, estes imigrantes se encontram divididos entre a cidade de Tabatinga, no Amazonas, e a cidade peruana de Iñapari, divisa com o município brasileiro de Assis Brasil, no Acre. Com a impossibilidade de entrar no Brasil e de viver com a documentação em dias, esta população não consegue trabalho nem prover seu sustento e o de suas famílias, estando em situação de extrema vulnerabilidade.

A nova política brasileira para acolhimento de haitianos, anunciada em 12 de janeiro deste ano, permite a concessão de apenas 100 vistos de permanência por mês aos haitianos, que serão expedidos pela Embaixada do Brasil em Porto Príncipe. Inicialmente os vistos terão validade de cinco anos e permitirão que os haitianos e haitianas trabalhem no Brasil. Durante este período, os imigrantes deverão comprovar que estão trabalhando.

Segundo informações da Conectas, os/as haitiano/as que estavam a caminho do Brasil só ficaram sabendo da nova política de acolhimento quando já haviam saído de seu país. Situação que impossibilitou a solicitação do novo tipo de visto.

Este é um dos principais pontos questionados pela Conectas. Camila Asano, coordenadora de Política Externa e Direitos Humanos da organização, diz que falta informação sobre como a medida está sendo divulgada no Haiti. Segundo ela, para solicitar o visto é necessário levar à Embaixada do Brasil em Porto Príncipe o passaporte válido, um atestado de antecedentes criminais e um comprovante de residência no Haiti.

"Como esta resolução está sendo divulgada? Será que os documentos estão impossibilitando a solicitação do visto? Muitas pessoas ficaram sem casa, então como conseguir um comprovante de residência? Precisamos de mais transparência nos critérios exigidos”, questiona e critica Camila.

A coordenadora de Política Externa e Direitos Humanos disse que após o anúncio da Resolução do CNIG 11 vistos foram concedidos em janeiro, 28 em fevereiro e 40 em março. "Apesar de o número ser crescente eles não refletem a expectativa de chegada de imigrantes haitianos no Brasil”.

No site do Ministério da Justiça consta a informação de que os/as haitianos/as que chegarem ao Brasil depois de 12 de janeiro, data da Resolução do CNIG ou que tentarem entrar ilegalmente no país serão notificados a deixarem o país, caso não o façam, serão deportados. Junto a isso, o Brasil anunciou que vai implantar medidas de combate à imigração ilegal. Unido a Bolívia, Equador e Peru, o país pretende ainda coibir a atuação de coiotes e o tráfico de imigrantes nas fronteiras.

Desde que a medida foi anunciada, Conectas solicita esclarecimentos do governo. Em janeiro, a organização enviou carta ao Ministério das Relações Exteriores, da Justiça, do Trabalho, à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e à Secretaria Geral da Presidência da República questionando pontos como os critérios para a concessão dos vistos humanitários, a forma de divulgação aos haitianos sobre as novas exigências brasileiras, a solicitação do visto em Porto Príncipe e a garantia de análise criteriosa dos pedidos formais de "refúgio”.

Até o momento, Conectas só recebeu retorno do Ministério do Trabalho e do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare). Apesar disso, Camila Asano informou que a organização está dialogando com o Governo a fim de conseguir que não se demore mais para acolher e conceder o visto permanente para estes imigrantes que estão em Iñapari e em Tabatinga.

"Além de fazer a sua parte e acolher os imigrantes haitianos de forma digna e respeitando os Direitos Humanos, o Brasil precisa dialogar com outros países para que adotem políticas migratórias humanitárias semelhantes”, acrescentou Camila.

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