No início deste mês de março, a escritora feminista Melissa Cardoza lançou a obra "13 cores da resistência hondurenha”. O livro relata 13 histórias de mulheres que fortaleceram a luta contra a repressão após o Golpe de Estado de 28 de junho de 2009, que retirou o então presidente Manuel Zelaya do poder.
Em entrevista à Rádio Internacional Feminista, Cardoza explicou que sua intenção foi mostrar a resistência ao golpe e a diversidade dos movimentos sociais que se encontraram nas ruas para exigir justiça e liberdade.
A autora considera que o livro dá uma pequena mostra do que foi e do que segue sendo esta experiência de luta da resistência hondurenha contra o golpe de estado que segue no regime atual do presidente Porfirio Lobo. Os 13 textos também abordam a diversidade dos movimentos sociais e dos modos de entender a política.
As 13 histórias são protagonizadas por indígenas, garífunas, jovens, religiosas, ateias e lésbicas que se comprometeram com a luta para transformar o cenário de injustiças sociais que se implantou em Honduras. Cardoza diz que todas as histórias foram retiradas "da rua”. Algumas ela presenciou, já outras foram relatadas a ela.
A escritora apontou que o livro é também uma forma de permitir que alguns detalhes valiosos sobre a construção política após o Golpe de Estado não caiam no esquecimento. "A história de Honduras se escreverá com textos sobre o Golpe e a Resistência”, manifestou na entrevista à Rádio Internacional Feminista.
Mulheres na luta
Mesmo antes do Golpe de Estado, as mulheres já estavam à frente de lutas por melhorias sociais, respeito aos direitos humanos, oportunidades no mercado de trabalho, contra o feminicídio e a violência doméstica, e em defesa do direito de decidir sobre seu corpo
Após o golpe, esta luta se tornou ainda mais intensa, pois os problemas do país aumentaram. Nos primeiros dias de golpe, os assassinatos de mulheres cresceram 60%. Por isso, elas saíram às ruas para denunciar as violações cometidas contra o povo hondurenho, em especial contra as mulheres, e denunciaram as atrocidades a instâncias como a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).
Como se não bastassem os abusos sexuais e violações, muitas foram perseguidas, impedidas de transitar livremente pelas ruas e de manifestar sua liberdade de expressão. Outras foram espancadas, ameaçadas de serem demitidas, tiveram suas casas invadidas e seus filhos e filhas perseguidos. Apesar disso, a luta não parou e elas continuam nas ruas reivindicando direitos e o retorno imediato da normalidade constitucional no país.
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