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15.06.12 - Mundo
Tendas sobre agroecologia e povos indígenas abrem atividades da Cúpula dos Povos
Natasha Pitts
Jornalista da Adital
Adital

Começou oficialmente nesta sexta-feira (15), no Rio de Janeiro (Brasil), a ‘Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental'. Centenas de pessoas continuam chegando ao Aterro do Flamengo, local do evento, e modificando a paisagem carioca. As tendas e auditórios ainda estão sendo montadas e aos poucos ativistas, jovens, pesquisadores de universidades e sociedade em geral começam a se reunir para debater temas como desenvolvimento sustentável, nanotecnologia, reciclagem, diálogo interreligioso, entre outros.

Uma das atividades da manhã deste primeiro dia foi o debate Agricultura e Crises Ambientais, com a participação de Paulo Petersen, da Associação Brasileira de Agroecologia. Paulo conversou com os participantes sobre assuntos como a crise ecológica profunda e a segurança alimentar que afetam cada dia mais a população.

"Não basta falar de segurança alimentar, a Monsanto, uma das maiores produtoras de agroquímicos, também fala nesse tema. Nós precisamos falar de soberania alimentar. E Cuba dá um exemplo disso, pois o país tem condições políticas”, disse.

O palestrante também tocou em um ponto que deverá ser amplamente debatido na Cúpula: a capacidade da sociedade civil de influenciar o que está sendo debatido no Riocentro, onde acontece a Conferência das Nações Unidades sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.

"Nós sofremos de invisibilidade, por isso temos que reaprender a fazer política, precisamos também renovar os movimentos sociais e estimular a capacidade de reação. O movimento agroecológico é pouco visto, mas quando produtores rurais decidem usar semente crioula e não usar agrotóxicos eles incomodam, são vistos”, instiga.

Paralelamente, em outra tenda, foi lançado o Corredor Etnoambiental Tupí Mondé, iniciativa constituída por povos indígenas do tronco tupi guarani e da família Mondé, que são os Paiter (Suruí), Paderej (Cinta Larga), Ikolen (Gavião), Pangyjej (Zoró) e Karo (Arara), falantes do Rama Rama. Estes cinco povos indígenas somam cerca de quatro mil pessoas espalhadas por territórios em Rondônia e Mato Grosso do Sul.

A criação deste Corredor Etnoambiental quer, entre outras coisas, evitar que se repitam episódios violentos como o Massacre do Paralelo 11, quando 3.500 Cinta Larga morreram envenenados por arsênico. Acredita-se que empresários tenham encomendado as mortes a pistoleiros. O crime aconteceu em 1960, mas até hoje está vivo na memória dos povos indígenas.

Nas palavras do cacique Josias, a necessidade de organização entre estes cinco povos, com laços culturais tão fortes e próximos, era óbvia.

"Temos semelhanças na cultura, na língua, nas tradições, então decidimos nos unir e nos fortalecer por meio de uma organização. Dessa forma, vamos poder juntos buscar nossa sustentabilidade econômica, gerir melhor nossos territórios e fortalecer a cultura indígena”, explicou Josias, assegurando a união entre os conhecimentos dos indígenas mais velhos e dos mais novos foi fundamental.

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