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06.08.12 - Argentina
Campanha nacional contra os agrotóxicos é lançada nesta segunda-feira (6) em Córdoba
Rogéria Araújo
Jornalista da Adital
Adital

Dados científicos comprovam os danos causados pelo uso abusivo de substâncias agrotóxicas. Na Argentina, em Cordóba, uma campanha lançada hoje (6) pela manhã chamou a atenção para o risco desses produtos empregados em lavouras e para a importância de mobilização dos moradores das áreas atingidas pelas fumigações e da sociedade em geral, que termina consumindo alimentos que estão longe de ser saudáveis.

A "Campanha Nacional Contra os Agrotóxicos e Pela Vida” foi lançada na Universidade Nacional de Córdoba, numa coletiva de imprensa, e faz parte de uma ação continental levada à frente pela Cloc-Via Campesina e outras organizações que combatem o problema.

Um estudo divulgado pelo coletivo Médico de Povos Fumigados, no começo deste ano, revelou que o aumento de substâncias como o glifosato, por exemplo, aumentou significativamente no país. Se em 1990 eram utilizados cerca de 30 milhões de litros de agrotóxicos, atualmente se utilizam mais de 340 milhões de litros.

Para a organização da Campanha, é claro que a questão dos agrotóxicos está diretamente ligada ao atual modelo capitalista que explora cada vez mais os campos argentinos, consolidando o agronegócio e colocando as pessoas abaixo dos interesses das grandes empresas.

"Esta é uma campanha permanente de formação, mobilização e luta com o objetivo de colocar em marcha uma maior coordenação na ampla batalha contra o atual modelo capitalista da agricultura, baseado no agronegócio e no saque de nossos bens naturais. Praticar uma agricultura sem a dependência dos agrotóxicos é uma tarefa histórica de recuperação da agricultura camponesa de forma responsável com o planeta e com as futuras gerações”, diz a convocatória.

A Campanha enfatiza, ainda, que o uso indiscriminado de agrotóxicos não tem seu efeito somente no campo, uma vez que se trata de um tema ambiental e de saúde pública. Doenças respiratórias, má formação fetal, diferentes tipos de cânceres estão entres os principais prejuízos causados à saúde.

Por isso, a iniciativa se centra em duas frentes. Uma delas é a denúncia. Denunciar o modelo empresarial que está acabando com métodos tradicionais e originários da agricultura, comprometendo o bem-estar de milhares de pessoas, é a raiz para uma mudança positiva, pois experiências como a agricultura familiar e a agroecologia estão aí para mostrar que outro modelo de desenvolvimento agrário é possível.

Em outra frente está a proposta pela soberania alimentar, com o objetivo de respeitar os costumes e os direitos dos povos que, de fato, deveriam ser responsáveis pela escolha do que vão consumir e não obedecerem a uma lógica de mercado imposta, inclusive, com aval de governos que cedem aos mandos das grandes empresas.

"Levamos em nosso país muitos anos de lutas e resistências, estamos convencidos que este é um momento estratégico para conseguir uma maior unidade das lutas do campo e da cidade para enfrentar este modelo de agricultura que atenta contra a vida dos povos e do planeta”, afirmaram as entidades organizadoras.

Na prática, a Campanha já começou. Neste final de semana, os/as delegados se reuniram e decidiram se distribuir em ações nos seguintes eixos: sistema produtivo, soberania alimentar, Jurídico/Institucional, Saúde, Formação, Pesquisa, Comunicação/Divulgação, Articulação e Estrutura de Coordenação.

Contactos:

contralosagrotoxicos@gmail.com

0351-15681-6397 Miguel,

0351-15208-7647 Victoria,

03844-15455-786 Paulo,

03843-15457-404 Margarita

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