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Sábado, 31 de julho de 2010
19.01.07 - AMÉRICA LATINA
Balanço final da Cúpula do Mercosul
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Adital -
Foto: Domingos Tadeu/PR
O grupo dos pequenos já não é tão pequeno assim: Paraguai e Uruguai que o compunham agora têm a companhia da Bolívia, que acaba de ser incorporada ao bloco. E, por coincidência ou não, Nicanor Duarte, presidente do Paraguai, foi quem assumiu a presidência "Pro Tempore" do Mercosul. O novo presidente se mostrou insatisfeito com as disputas internas do bloco e pediu aos companheiros para "deixarem de lado a competitividade". Duarte afirmou que, mais do que uma ligação social, econômica e política, é preciso uma ligação física e cibernética, pois ele acredita que isso facilitaria a comunicação entre os países.

Para o presidente Tabaré Vázquez, do Uruguai, o bloco precisa dar assistência aos países menores, para que todos os membros fiquem em condições mais justas. Ele também enfatizou a questão das assimetrias entre os países. "Queremos mais e melhor Mercosul. É nisso que apostamos".

O presidente da Argentina, Nestor Kirchner, fez um balanço positivo das medidas tomadas pelo bloco até agora, afirmando que houve resultados significativos em diversos aspectos.  Ele defendeu a efetivação de dois projetos centrais para o bloco: a criação do Banco do Sul e do Gasoduto do Sul. Ele afirmou ainda que a América Latina vive um novo capítulo político e que a Argentina crê profundamente na integração social e econômica entre os países do bloco, e que será encontrado um ponto de paz e entendimento que corresponda aos interesses comuns de cada nação.

O venezuelano Hugo Chávez fez discurso longo e inflamado com duras críticas ao capitalismo e, reforçando a idéia de que não está propondo o socialismo ao Mercosul e que não quer ‘contaminar’ ninguém, sugeriu que cada Estado tenha uma maior participação na economia. Chávez destacou que 40% das empresas dos países do Mercosul são transnacionais e que 36% são dependentes de uma empresa matriz que é transnacional e, neste caso, o país perde o controle sobre as decisões daquele capital, "quem decide são eles", disse, referindo-se aos países de origem das transnacionais.

O presidente da Venezuela elogiou a associação da Petrobras com a PVDSA e destacou a necessidade de se ter uma refinaria de petróleo na América Central, pois não há nenhum naquela região.

Chávez como Evo Morales foi enfático ao afirmar que o FMI é uma arma do imperialismo americano e o Banco Mundial é uma arma do imperialismo mundial.

Evo Morales cobrou do presidente Lula uma posição mais solidária na negociação do gás vendido pelo seu país ao Brasil. "Não é possível que a Bolívia siga subvencionando o gás ao Brasil. Assim, jamais vamos acabar com as assimetrias entre os países". Ele lembrou que os países com posições mais independentes, antiimperialistas e antineoliberais, cresceram mais na América Latina do que outros, citando como exemplo Cuba, Venezuela e Argentina, campeões de crescimento na região. Em contrapartida, apontou a Colômbia, que sofre influência do governo norte-americano, como um exemplo de país que teve problemas econômicos, fazendo referência ao déficit comercial colombiano.

Para conhecer o documento oficial da Cúpula, "Comunicado conjunto dos presidentes dos Estados partes do Mercosul e estados associados", clique aqui.

Reportagem Adital: Iara Cruz e Juliana Prestes


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