O diretor executivo do Escritório das Nações Unidas contra a Droga e Crime - UNODC, Antônio Maria Costa, informou que a campanha contra o tráfico de pessoas, lançada no dia 27 de março passado, em Londres, é a maior que já foi posta em prática no mundo. Segundo ele, a campanha é destinada a criar um marco para todas as outras iniciativas que foram realizadas até agora: "estamos falando de um contexto em que cada iniciativa se tornará mais relevante e como conseqüência, terá maior impacto".
O lançamento da iniciativa coincidiu com o bicentenário da abolição do comércio de escravos no império britânico. Por este motivo, está prevista a realização de uma série de encontros que serão concluídos em Viena com a Conferência Internacional contra o Tráfico Humano, entre 27 e 29 de novembro próximo.
O primeiro passo para concretizá-la, será a campanha de informação mundial durante todo este ano. Também se prevê a criação de um fundo para financiar atividades a partir de 2008. "Ainda estamos numa fase preparatória, temos que atrair para nossa causa todas as pessoas que lutam pela liberdade, afirma Costa".
A UNDOC assinala que o problema do tráfico de pessoas alcançou proporções endêmicas durante a última década e que a maioria das vítimas são mulheres e adolescentes, cujo destino é a prostituição forçada.
Segundo os estudiosos do assunto, cerca de 2.5 milhões de pessoas em todo o mundo, estão debaixo das redes dos traficantes. Entretanto, a UNODC assinala que os verdadeiros números são desconhecidos, pois há muitas vítimas não identificadas.
O tráfico humano se tornou um grande negócio que, segundo estimativas da ONU, alcança a cifra de 32 bilhões de dólares por ano. Desse total, 10 bilhões de dólares correspondem à venda de pessoas, e o restante é resultante do trabalho ou produtos feitos pelas vítimas para seus exploradores.
Conforme a UNODC, o Protocolo da ONU contra o Tráfico de Pessoas, em vigência desde 2003, foi firmado e ratificado por mais de 110 países, porém muitos governos ainda não o pôs efetivamente em prática. Poucos criminosos são condenados e a maioria das vítimas nunca recebe ajuda. Muitas delas, inclusive, são punidas por delitos como a entrada ilegal no país para onde foi traficada.
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