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Terça-Feira, 21 de maio de 2013
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04.06.03 - Paraguai Movimentos Sociais.
Especial:
Fronteiras abertas à corrupção: a odisséia de um boliviano
Adital
Assunção, Paraguai - Susana Oviedo*, para Adital - Pedro Mamani, boliviano, precisou pagar apenas 17 dólares para que a sua mulher, menor de idade, sem a permissão dos pais e sem documentação legal, pudesse entrar no Paraguai através da semidesértica região do Chaco. Jornalistas do "Última Hora" acompanharam-na e foram testemunhas do caso, em uma viagem de Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) até Assunção, num ônibus de passageiros. "Tenho que pagar. Não tenho outra saída se quero entrar no Paraguai", expressou o cidadão boliviano. Mamani começou sua viagem no dia 24 de maio passado, em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) rumo a Assunção, a capital paraguaia, com uma incerta promessa de emprego. Sua história é uma, de muitas, que demonstra a permeabilidade da fronteira paraguaia e os níveis de corrupção de algumas autoridades fronteiriças, fenômeno que se reproduz em todos os outros postos de acesso ao Paraguai; especialmente em um dos pontos de maior movimento comercial e migratório: Ciudad del Este, na fronteira com a cidade brasileira de Foz de Iguaçu. Viajantes "Eu tinha que trazê-la", disse, referindo-se à sua mulher. Meus amigos me disseram que eu tinha que trazer dinheiro trocado para pagar propina, mas eu não imaginava que fosse tanto!", disse o viajante aos jornalistas. O dinheiro trocado, que Mamani trouxe para as propinas, não foi suficiente. Ainda na Bolívia, no quartel fronteiriço de "El Tigre", um militar cobrou-lhe 10 dólares para "fazer de conta que não viu nada". Alguns quilômetros depois, a situação se repetiu. No domingo, 25 de maio, o infeliz chegou ao posto fronteiriço da Secretaria Nacional Anti-drogas (Senad), em Mariscal Estigarribia, a 525 quilômetros da capital. Aí teve que pagar outros 10 dólares, cinco por sua esposa e outros cinco por ele. Nessa ocasião, narrou, todos os passageiros foram obrigados a descerem do ônibus, com suas bagagens, e a colocarem-se em fila. Mamani comentou que foi retirado da fila com sua pouca bagagem. "Um oficial da Senad pediu minha carteira de identidade e me cobrou 10 dólares para deixar passar minha esposa. Era um moreno alto e perecia atuar como o chefe do grupo", disse, depois, o próprio Mamani. Pozo Colorado, mais propinas O ônibus chegou ao pôr-do-sol em outro posto de controle, em Pozo Colorado, cerca de 300 quilômetros da capital. "Tenho que pagar de novo?", perguntou Mamani resignado. Segundo os jornalistas, o escritório do Departamento de Migrações funciona em um pequeno quarto em um posto de gasolina. Segundo o relato, Mamani fez fila com os demais viajantes; depois, os funcionários da migração chamavam, um por um, os viajantes estrangeiros no escritório, e os atendiam a portas fechadas. Uma dúzia de bolivianos e peruanos contou que lhes haviam cobrado cinco dólares por cabeça; os que tinham passaportes se salvaram da contribuição. Mamani não tinha e não teve outra saída, senão pagar. Mamani disse que os funcionários da Migração nem sequer verificaram a documentação de sua esposa. Os jornalistas relatam que Mamani não tinha mais dinheiro, e seus amigos bolivianos, solidários, fizeram uma "vaquinha", arrecadando apenas sete dólares. Os funcionários da Migração concederam uma redução de tarifa. Os estrangeiros aceitaram submissos o pagamento das taxas, para poderem "entrar no país", sabendo que, na inóspita região do Chaco, seu futuro depende do humor de um funcionário corrupto. A matéria jornalística indica que Mamani e sua companheira chegaram na madrugada da segunda-feira, 26 de maio, à Rodoviária de Assunção. "Ao ver que um policial se aproximava, o motorista do ônibus teve pena deles e lhes disse que se escondessem entre as pessoas. O motorista comentou que sabia o que aconteceria: mais taxas arbitrárias a pagar". Assim, termina o relatório dos jornalistas de "Última Hora". *Susana Oviedo é correspondente da Adital no Paraguai, jornalista do "Última Hora" e docente da Universidade Católica
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