Segundo Adichie, o importante é não ter uma história única sobre alguém ou alguma coisa, mas ter várias histórias. A história única cria estereótipos, e o problema com estereótipos é não que eles não sejam verdadeiros, mas que são incompletos, e fazem uma história tornar-se a única. Quando um povo é mostrado, repetidamente, somente de uma maneira, é assim que ele será conhecido.
Ter uma única visão sobre um povo é a chave para criarem-se estereótipos sobre esse povo. Por exemplo, dizer que o Brasil é o país do samba, do futebol, das mulheres de biquíni na praia, ou o país da pobreza, da fome é simplificar a visão sobre nosso país, é estereotipá-lo. E isso fere nossa dignidade, porque o Brasil é muito mais do que isso. Mas essa visão pluralista do Brasil, só a teremos se tivermos acesso as suas várias histórias.
Adichie diz ser impossível falar de única história sem falar de poder, pois quem detém o poder diz o que quer. Assim, a maneira como as histórias são contadas, quem as conta, quando e quantas são contadas, tudo depende do poder, que não somente conta a história do outro, mas a torna definitiva. Daí ser tão importante ouvir-se uma variedade de versões sobre um povo. Por exemplo, contar a história do Brasil começando com as flechas dos nativos e não com a chegada dos colonizadores faz uma enorme diferença.
A maneira mais eficaz de se criar preconceito contra um povo é repetir sempre a mesma coisa sobre aquele povo. Como estereótipos são crenças compartilhadas sobre os membros de uma mesma categoria social, é preciso ter cuidado com as etiquetas que se colocam sobre as pessoas, os lugares, as coisas. Por exemplo, o site lançado pelo Governo Federal, sobre a Copa de 2014, no Brasil, traça o perfil das cidades-sede e dá informações úteis aos visitantes. Os títulos dados a algumas dessas cidades geram estereótipos, que, em vez de atrair turistas, podem afugentá-los, como é o caso de São Paulo, cognominada a Terra da Garoa. É evidente que para os criadores dos títulos faltaram outras histórias sobre São Paulo.
Assim, para que os lugares, as pessoas, as coisas não sejam objeto de preconceito, é importante buscar-se uma variedade de informações, reais ou imaginárias sobre eles.