07.12.11 - América Latina
Oficina expõe pesquisa em comunidades afrorrurais do Brasil, Equador e Panamá
Camila Queiroz
Jornalista da ADITAL
Adital
O projeto Quilombos das Américas está realizando a I Oficina para Intercâmbio de Experiências e Pacto de Ações, a partir de hoje (7) até sexta-feira (9), para apresentar o resultado de 47 dias de pesquisa sobre aspectos sociais, econômicos, alimentares, institucionais, tecnológicos e culturais de comunidades afrodescendentes no Brasil, Equador e Panamá. As oficinas ocorrem na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, capital do Brasil.

Observando as comunidades de Valle del Chota-Salinas e La Concepción, no Equador; Garachiné, em Darién, no Panamá; e Empata Viagem, em Maraú, na Bahia, Brasil, os pesquisadores, de áreas de conhecimento diversas, apontam para características históricas e do modo de viver similares entre os grupos rurais constituídos por afrodescendentes.

Os diferentes nomes que caracterizam as comunidades – quilombos, palenques, cumbes, maroons e cimarrones – escondem semelhanças, como a resistência à escravatura e às injustiças sociais que até hoje persistem.

Lançado em agosto deste ano, o projeto objetiva ser o primeiro passo na constituição de uma rede de articulação de políticas públicas e cooperação entre comunidades afrorrurais da América do Sul e Caribe. Segundo a pesquisadora e coordenadora do projeto, Paula Balduino, a oficina obedece a essa ideia principal e, por isso, socializará o resultado das pesquisas e promoverá um diálogo qualificado entre representantes afrorrurais e entre gestores.

Haverá cinco representantes de cada um dos territórios pesquisados, além de outras lideranças afrorrurais de comunidades que não foram contempladas pela pesquisa. Como gestores, participarão a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir/PR), Luiza Bairros, e representantes das instituições parceiras do projeto Quilombos das Américas.

Na opinião de Paula, os dados expostos durante a oficina podem mostrar às instituições governamentais várias possibilidades de trabalho em comunidades afrorrurais brasileiras, panamenhas e equatorianas.

De acordo com o pesquisador Edson Guiducci Filho, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Hortaliças, o projeto conta com dois eixos –acesso a direitos econômicos sociais, culturais e políticos e ações voltadas para promoção de soberania alimentar nas comunidades.

"São comunidades em países latino-americanos e caribenhos com trajetórias históricas similares aos quilombos no Brasil e com uma realidade muito próxima da que ocorre no País”, explicou.

O projeto Quilombos das Américas foi pensado em adesão ao Ano Internacional dos Afrodescendentes, estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para 2011. É coordenado pela Seppir/PR, com a participação da Embrapa, Agência Brasileira de Cooperação (ABC) do Ministério das Relações Exteriores, Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), Secretaria Geral Ibero-americana (Segib), Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Entidade das Nações Unidas para Igualdade de Gênero e Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres) e Programa Interagencial de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia.

A I Oficina para Intercâmbio de Experiências e Pacto de Ações ocorre no auditório do Subsolo do Bloco A da Esplanada dos Ministérios.


Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para:
Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil