De amanhã (23) até domingo (25), governo, organizações não governamentais, movimentos e demais atores sociais envolvidos no conflito armado interno que massacra a Colômbia, estarão reunidos em Lausana, na Suíça, para participar do Encontro internacional pela paz e a solução política ao conflito colombiano.
Como o próprio nome do Encontro explica, o evento é uma oportunidade para sugerir e buscar saídas políticas e dialogadas ao fim do conflito que já se arrasta por mais de 50 anos. Outro objetivo é ajudar a visibilizar a situação colombiana e gerar solidariedade na busca por saídas opostas à guerra. Por acontecer na Suíça, o evento também se transforma em uma oportunidade de inclusão dos imigrantes colombianos na Europa para que participem desta luta pela geração da paz com justiça social em seu país.
O Encontro terá início na noite de sexta com a intervenção de representantes de organizações não governamentais voltadas ao tema da paz, dos direitos humanos e do direito internacional humanitário. Entre eles, estarão Miguel Puerto, advogado defensor dos DH e coordenador da Comissão para a Colômbia/América Latina do Centro Internacional para os Direitos Sindicais (Ictur) e Piedad Córdoba, ex-senadora colombiana e membro de Colombianos e Colombianas pela Paz.
No sábado, o programa será conduzida por representantes de sindicatos voltados para a temática dos recursos naturais e da soberania, por membros de movimentos sociais colombianos focados na solução política ao conflito e especialistas em direitos humanos e direito internacional humanitário. Também será a oportunidade para as intervenções do governo colombiano, de membros da insurgência armada e de representantes da comunidade internacional que atuam no temática colombiana.
As intervenções dos participantes terão como base os eixos temáticos: 1. Território, soberania, recursos naturais e conflito social, que será abordado por sindicalistas, pelo Conselho Regional Indígena de Cauca (Cric) e pela Minga com o objetivo de falar sobre a exploração dos recursos naturais e sua influência no conflito, a relação com as multinacionais e a atuação da sociedade colombiana no processo de diálogo e luta pela paz.
O eixo 2 - Direitos Humanos, direito internacional
humanitário e solução política ao conflito – será abordado por membros da
Marcha Patriótica, Mesa Ampla Nacional Estudantil, Movimento de vítimas de crimes
de Estado e organizações de mulheres para expor a situação das vítimas, das
ações de justiça e reparação, falar sobre acordos humanitários e novas formas
de participação na construção de alternativas ao fim do conflito.
A temática 3 - Processo de paz e acompanhamentos da comunidade internacional –
terá a participação de especialistas que falarão sobre o papel da comunidade
internacional e os interesses que estão em jogo no conflito e em sua solução,
sobre o papel das multinacionais na proteção aos direitos humanos e ambientais
e darão exemplos sobre acompanhamentos em comunidades e a relação com os atores
armados não estatais.
No último dia de Encontro serão realizadas quatro oficinas sobre: Território, soberania e conflito social; Direitos Humanos, direito internacional humanitário; Processo de paz e acompanhamentos da comunidade internacional; e Migrantes e participação no processo de solução política ao conflito.
Histórico
Apesar de o artigo 22 da Constituição colombiana estabelecer que "a paz é um direito e um dever de cumprimento obrigatório”, há mais de 50 anos a população do país não experimenta a verdadeira sensação de paz. As violações aos direitos humanos a que estão expostos vão de desocupações forçadas e estupros até a utilização de crianças e adolescentes como soldados e assassinatos. A situação, que já perdura por mais de 50 anos, é protagonizada não só pelas populações afetadas, mas por membros de grupos armados ilegais e pelo Exército.
O temor de que o conflito armado interno seja herdado pelas futuras gerações e perdure por mais tempo matando, violando e traumatizando a população faz com que diversos atores sociais colombianos se empenhem dia após dia em encontrar saídas políticas e dialogadas para a situação a fim de concretizar um futuro digno em que reine a paz, a justiça e a democracia.