22.03.12 - Colômbia
Na Suíça, encontro reúne atores sociais envolvidos no conflito interno colombiano para busca de soluções políticas
Natasha Pitts
Jornalista da Adital
Adital

De amanhã (23) até domingo (25), governo, organizações não governamentais, movimentos e demais atores sociais envolvidos no conflito armado interno que massacra a Colômbia, estarão reunidos em Lausana, na Suíça, para participar do Encontro internacional pela paz e a solução política ao conflito colombiano.

Como o próprio nome do Encontro explica, o evento é uma oportunidade para sugerir e buscar saídas políticas e dialogadas ao fim do conflito que já se arrasta por mais de 50 anos. Outro objetivo é ajudar a visibilizar a situação colombiana e gerar solidariedade na busca por saídas opostas à guerra. Por acontecer na Suíça, o evento também se transforma em uma oportunidade de inclusão dos imigrantes colombianos na Europa para que participem desta luta pela geração da paz com justiça social em seu país.

O Encontro terá início na noite de sexta com a intervenção de representantes de organizações não governamentais voltadas ao tema da paz, dos direitos humanos e do direito internacional humanitário. Entre eles, estarão Miguel Puerto, advogado defensor dos DH e coordenador da Comissão para a Colômbia/América Latina do Centro Internacional para os Direitos Sindicais (Ictur) e Piedad Córdoba, ex-senadora colombiana e membro de Colombianos e Colombianas pela Paz.

No sábado, o programa será conduzida por representantes de sindicatos voltados para a temática dos recursos naturais e da soberania, por membros de movimentos sociais colombianos focados na solução política ao conflito e especialistas em direitos humanos e direito internacional humanitário. Também será a oportunidade para as intervenções do governo colombiano, de membros da insurgência armada e de representantes da comunidade internacional que atuam no temática colombiana.

As intervenções dos participantes terão como base os eixos temáticos: 1. Território, soberania, recursos naturais e conflito social, que será abordado por sindicalistas, pelo Conselho Regional Indígena de Cauca (Cric) e pela Minga com o objetivo de falar sobre a exploração dos recursos naturais e sua influência no conflito, a relação com as multinacionais e a atuação da sociedade colombiana no processo de diálogo e luta pela paz.

O eixo 2 - Direitos Humanos, direito internacional humanitário e solução política ao conflito – será abordado por membros da Marcha Patriótica, Mesa Ampla Nacional Estudantil, Movimento de vítimas de crimes de Estado e organizações de mulheres para expor a situação das vítimas, das ações de justiça e reparação, falar sobre acordos humanitários e novas formas de participação na construção de alternativas ao fim do conflito.
A temática 3 - Processo de paz e acompanhamentos da comunidade internacional – terá a participação de especialistas que falarão sobre o papel da comunidade internacional e os interesses que estão em jogo no conflito e em sua solução, sobre o papel das multinacionais na proteção aos direitos humanos e ambientais e darão exemplos sobre acompanhamentos em comunidades e a relação com os atores armados não estatais.

No último dia de Encontro serão realizadas quatro oficinas sobre: Território, soberania e conflito social; Direitos Humanos, direito internacional humanitário; Processo de paz e acompanhamentos da comunidade internacional; e Migrantes e participação no processo de solução política ao conflito.

Histórico

Apesar de o artigo 22 da Constituição colombiana estabelecer que "a paz é um direito e um dever de cumprimento obrigatório”, há mais de 50 anos a população do país não experimenta a verdadeira sensação de paz. As violações aos direitos humanos a que estão expostos vão de desocupações forçadas e estupros até a utilização de crianças e adolescentes como soldados e assassinatos. A situação, que já perdura por mais de 50 anos, é protagonizada não só pelas populações afetadas, mas por membros de grupos armados ilegais e pelo Exército.

O temor de que o conflito armado interno seja herdado pelas futuras gerações e perdure por mais tempo matando, violando e traumatizando a população faz com que diversos atores sociais colombianos se empenhem dia após dia em encontrar saídas políticas e dialogadas para a situação a fim de concretizar um futuro digno em que reine a paz, a justiça e a democracia.


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