Em nota divulgada no sítio eletrônico, o Levante Popular destaca que a juventude vai às ruas para denunciar os crimes cometidos na época da ditadura com a intenção de "sensibilizar a sociedade e garantir que a Comissão [da Verdade] tenha liberdade para fazer o seu trabalho e alcance seus objetivos”.
De acordo com Paulo Henrique Oliveira, integrante da coordenação nacional do Levante Popular da Juventude em Fortaleza (CE), as ações desta segunda-feira ocorreram em mais de dez cidades de todo o país. "O objetivo foi demonstrar apoio à iniciativa do Governo Federal de anunciar os nomes dos integrantes da Comissão da Verdade, além de trazer à tona os torturadores e os locais de tortura”, comenta, lembrando que muitos torturadores ainda permanecem impunes.
Na capital cearense, segundo ele, a atividade reuniu cerca de 70 jovens na antiga sede da Polícia Federal, local onde funcionou um centro de tortura e que hoje abriga a Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor). Na ocasião, os/as manifestantes foram recebidos por representantes da Secretaria de Direitos Humanos e da Secretaria de Cultura de Fortaleza, os quais, de acordo com Paulo Henrique, receberam as propostas dos/as jovens e se comprometeram em avançar e contribuir com a pauta de reivindicações do Movimento.
O coordenador do Levante comenta que estão entre as principais demandas da juventude encaminhadas para a Prefeitura do Município: a mudança de nomes de ruas, praças e outros locais públicos que fazem referência a torturadores e agentes ligados à ditadura militar; a realização de um seminário na Câmara Municipal de Vereadores sobre o assunto; o tombamento da casa de Frei Tito de Alencar; e o apoio da Prefeitura a iniciativas de jovens ou que trabalhem com jovens que façam referência à temática.
Outros locais
Além do Ceará, jovens de outros estados também aproveitaram esta segunda-feira (14) para realizar "esculachos/escrachos”. Informações da página na internet do Levante Popular da Juventude destacam que no município de Guarujá, em São Paulo, as manifestações ocorreram contra o tenente-coronel reformado Maurício Lopes Lima, acusado de promover torturas contra a presidenta Dilma Rousseff durante a ditadura militar.
Na Bahia, a ação envolveu cerca de 150 jovens em Feira de Santana, Cruz das Almas e Salvador. Em Belo Horizonte (MG), o alvo das manifestações foi João Bosco Nacif da Silva, médico-legista da Polícia Civil na ditadura, acusado de participação em assassinato e tortura na capital mineira.
Além desses locais, jovens de Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, e Rio de Janeiro também saíram às ruas para realizar "esculachos/escrachos” contra torturadores. De modo geral, Paulo Henrique avalia a mobilização de forma positiva. Ele afirma que o movimento ainda irá realizar um balanço mais detalhado das atividades, mas acredita que será positivo. "Os atos ganharam repercussão e evidenciaram a contradição da ausência do direito à memória [no país]”, observa.
Comissão da Verdade
Na última quinta-feira (10), o Governo Federal anunciou o nome dos/as sete integrantes escolhidos/as pela presidenta Dilma Rousseff para integrar a Comissão da Verdade. A Comissão, que será instalada nesta quarta-feira (16), terá dois anos para produzir um relatório e esclarecer as violações aos direitos humanos ocorridas entre os anos de 1946 e 1988.
Com informações de agências.
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