Gigante chinesa do setor automotivo conquista espaço na União Europeia

 

A montadora chinesa Geely fabricará veículos elétricos na fábrica da Ford em Almussafes, na região de Valência, na Espanha, marcando sua entrada na produção de automóveis dentro da União Europeia. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, confirmando informações divulgadas anteriormente pela imprensa.

O acordo garante à Geely sua primeira unidade de produção de veículos no bloco europeu. Com isso, a empresa poderá fabricar modelos destinados ao mercado europeu sem estar sujeita às tarifas aplicadas sobre veículos elétricos importados diretamente da China.

Os automóveis serão produzidos em uma linha de montagem atualmente ociosa da fábrica da Ford. Segundo Sánchez, a parceria ajudará a preservar a atividade industrial e os empregos na unidade, que enfrenta um longo período de baixa utilização.

Considerada durante anos a maior fábrica da Ford fora dos Estados Unidos, a planta espanhola opera atualmente com menos de 25% de sua capacidade anual, estimada em 450 mil veículos. A redução ocorreu após a montadora norte-americana enxugar suas operações na Europa em 2023, depois de sucessivos prejuízos em sua divisão de automóveis de passeio.

A iniciativa ocorre menos de dois anos após a União Europeia impor tarifas adicionais sobre veículos elétricos produzidos na China. A medida tinha como objetivo conter o avanço das fabricantes chinesas no mercado europeu. Na prática, porém, o resultado foi diferente. Em vez de reduzir sua presença, diversas empresas passaram a investir em fábricas dentro do próprio bloco, evitando as tarifas de importação.

A Geely faz parte de um movimento mais amplo de expansão das montadoras chinesas na Europa. A BYD está construindo uma fábrica na Hungria, a Chery assumiu a antiga unidade da Nissan em Barcelona, a SAIC desenvolve projetos industriais na Espanha e a Leapmotor, que iniciou a montagem de veículos em parceria com a Stellantis na Polônia, está transferindo parte da produção para o território espanhol.

O avanço dessas fabricantes acontece em um momento desafiador para a indústria automotiva europeia. O setor enfrenta demanda enfraquecida, aumento dos custos de energia e mão de obra, além dos elevados investimentos exigidos pela transição para os veículos elétricos.

A Volkswagen, maior montadora da Europa, conduz sua mais ampla reestruturação em décadas, com planos de eliminar dezenas de milhares de empregos e reduzir sua capacidade produtiva diante dos altos custos, do excesso de capacidade industrial e da crescente concorrência das fabricantes chinesas. A Stellantis também anunciou que encerrará a produção de veículos em uma fábrica próxima a Paris até 2028, citando o excesso de capacidade industrial e o encolhimento do mercado automotivo europeu.

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